O prefeito de Várzea Grande, Murilo Domingos, deixou a reunião na Justiça Federal com a seguinte orientação: pare tudo o que estiver sendo feito relacionado a verbas do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC), anule a licitação e também torça muito para que o pior não aconteça. Além de fraude em licitação, na qual figuram empresas que operavam o programa em Cuiabá, os procedimentos para execução das obras na cidade apresentaram preços acima do que estabelece as planilhas da Caixa Econômica Federal e Controladoria Geral da União. Algo em torno de R$ 7,5 milhões a mais, segundo as primeiras indicações do Ministério Público Federal. É o que vem sendo caracterizado de sobrepreço.
E não para por ai. Há fortes suspeitas por parte do MPF sobre o envolvimento de Murilo Domingos com empresários que ainda tocam as obras na cidade. A Gemini Projetos Incorporações e Construções Ltda, do empresário Anildo Lima Barros, ex-prefeito de Cuiabá e que se encontra preso por ordem da Justiça Federal por liderar o esquema de fraude em licitação no PAC de Cuiabá, fez consideráveis doações para a campanha do atual prefeito, reeleito no ano passado. A prestação de contas de campanha de Murilo no Tribunal Regional Eleitoral, registrou doação no valor de R$ 100 mil por parte da empresa de Anildo.
A documentação sobre as empresas colaboradoras da campanha, contém 10 páginas e estão protocoladas no 58º Cartório do Município no qual foram entregues no dia 4 de novembro de 2008.
O fato que causa estranheza, é que, o prefeito durante a entrevista coletiva, na sede da Polícia Federal nesta sexta-feira, desconversou e negou qualquer tipo de ligação e ter recebido importância do proprietário da Gemini para sua campanha. “Não recebi doação dele e nem de ninguém” – disse, secamente.
A Gemini conquistou este ano R$ 27 milhões em licitações no município, em conjunto com outras duas outras empresas, a “Três Irmãos Engenharia Ltda”, de propriedade do ex-secretário de Indústria e Comércio do Governo Dante de Oliveira e atual suplente de deputado, Carlos Avalone; e a Concremax Concreto Engenharia e Saneamento Ltda de propriedade de Jorge Pires de Miranda. Juntas, elas firmaram um consórcio empresarial para assegurar condições de vencer as licitações. Escutas telefônicas indicaram que o consórcio atuou de forma a evitar que empresas de outros estados pudessem participar da concorrência.
O convênio das obras com as três empresas foi firmado em abril deste ano. Na época, a cidade estava sob a administração do vice-prefeito Sebastião Gonçalves, o Tião da Zaeli – durante a licença do prefeito Murilo Domingos. Tanto que é o próprio Tião quem assina o contrato, acompanhado do secretário municipal de Viação, Obras e Urbanismo, Valdisnei Moreno.